Degraus da Vida
Sofia sempre foi aquele tipo de pessoa que ao invés de aprender passo a passo, como deve ser, gostava sempre de começar pelo fim – justamente pelo mais difícil.Aos 7 anos de idade já queria fazer contas de alguém da terceira série e coisas do tipo. Enquanto criança tudo parecia bonitinho, mas ao entrar na aborrecência as coisas começaram a ficar bem feias.
Ela não queria dar ouvidos aos pais ou avós, sempre agia com um ar de superioridade e o pior de tudo, nunca aprendia nada – visto que sempre queria começar do mais difícil (do fim) e sendo assim desistia.
“A vida é como uma escada” dizia seu avô “temos de subir degrau por degrau, e só avançarmos quando estivermos prontos” – claro que para Sofia isso era apenas uma baboseira criada pelo velho que ela via como gagá e não como sábio.
Devido a sua superioridade (falsa), Sofia começou a perder os amigos, pois quando podia aprender com os mais humildes, simplesmente os desprezava, sem nem imaginar que talvez pudesse aprender algo que poderia ser útil no futuro.
Os anos se passaram e Sofia sofria com a falta de pessoas ao seu lado – as que lhe deram chance estavam para ela degraus a baixo, e ela não se sujeitava a acompanhá-los, os que estavam acima sequer se davam conta de que ela existia e nessa escadaria imensa Sofia caminhava sozinha rumo ao topo.
Mas os anos começaram a tracejar sua beleza e Sofia começou a ficar cansada.
Subtamente estava no limite – pois não tinha mais forças para subir a escada. Talvez se ela tivesse dado ouvidos aos seus pais e avós, agora falecidos, talvez pudesse seguir seu caminho.
De qualquer forma ela tinha a opção de voltar no primeiro degrau e começar do zero – mas agora o risco era grande. Pois, debilitada, ela poderia cair, ou pior, poderia aprender tudo do zero, mas não ter tempo vital suficiente para atingir o topo.
O Aranha Marrom

